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04/09/2021
Tecnologia da Informação: a profissão do século

Por: Eduarda Perin

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Conheça os desafios e as oportunidades para os profissionais de tecnologia no Brasil e no mundo

Nem os criadores de futuristas como “De Volta para o Futuro” e “Os Jetsons” – que anteciparam tecnologias como os smartwaches e o holograma - poderiam prever um plot twist como este: uma pandemia que aceleraria (e muito!) a transformação digital em todo o mundo.

Especialistas e referências nacionais em inovação e tecnologia, apontam que avançamos cerca de 10 anos em pouco mais de dois meses. Tudo isso pelas transformações impostas pelo “apocalipse digital” que vivemos em decorrência da Covid-19.

Para se adaptar ao isolamento social e a compra sem sair de casa, as empresas implementaram soluções tecnológicas no melhor estilo “agora ou nunca”, lançando em poucas semanas ferramentas e plataformas que poderiam demorar anos para sair do papel.

Esse processo de integrar tecnologia a todos os aspectos da empresa, e que exige mudanças fundamentais de cultura e operações, é chamado de transformação digital.

Segundo dados da Statista, empresa alemã especializada em dados de mercado e consumidores, em 2018 as empresas transformadas digitalmente representavam 13,5 trilhões de dólares do PIB global. Em 2023, elas devem representar 53,3 trilhões, mais da metade do PIB geral.

O crescimento representa o investimento das empresas para transformar seus negócios digitalmente, reconhecendo a importância de ter processos mais eficientes e um melhor enfrentamento aos desafios impostos pela pandemia por meio da tecnologia.

Neste processo de transformação, existe um profissional que é estratégico e indispensável dentro das organizações: o profissional ligado à Tecnologia da Informação.

É a área de TI que gerencia os dados em uma empresa, criando e distribuindo-os em redes de computadores, além de ser responsável por implementar, administrar e manter sistemas e produtos tecnológicos nas organizações.

Em um contexto onde a tecnologia se tornou item obrigatório para a sobrevivência dos negócios, o cenário não poderia ser diferente: o mercado suplica por esses profissionais em uma escala exponencial.

Segundo a GeekHunter, empresa de recrutamento especializada na contratação de profissionais de tecnologia, em 2020 o número de vagas abertas na área de tecnologia cresceu 310%.

Bacharel em Sistemas de Informação, professor universitário com mais de 11 anos de experiência e coordenador do curso de Ciência da Computação da IMED, Marcos Roberto dos Santos, destaca alguns dos motivos de estarmos vivendo um momento de crescimento na demanda por profissionais de TI:

- Vivemos um momento ímpar na história. As empresas estão cada vez mais dependentes da automação proporcionada por ferramentas digitais e o mercado de tecnologia está sempre em constante ascensão para atender às necessidades do mercado. Além disso, o período de isolamento social, provocado pela pandemia, trouxe ainda mais relevância para os profissionais responsáveis pela transformação digital. O resultado do trabalho de quem se forma em um curso de Tecnologia está presente no nosso dia a dia: sites, e-commerces, aplicativos, jogos, aulas e reuniões online, softwares, entre outros. Por isso, esse profissional é tão essencial e o mercado de tecnologia não para de crescer.

 

OPORTUNIDADES INTERNACIONAIS
 

A demanda por profissionais de TI não é exclusividade do Brasil: a expectativa do Fórum Econômico Mundial é que o setor ligado à ciência de dados crie 1,7 milhões de vagas em 2021 e mais 6,1 milhões até 2022. Meta que segue uma tendência audaciosa até 2025, quando as transformações tecnológicas devem gerar 97 milhões de empregos no mundo.

As oportunidades internacionais para a área são tantas, que existem empresas especializadas em recrutamento de profissionais de TI. É o caso da DBServices, de Portugal, uma spin off da DBServer, empresa brasileira com mais de 28 anos de mercado.

Headhunter da empresa, Fernanda Falk Biacchi, destaca que os brasileiros são muito bem vistos fora do país e que as oportunidades internacionais não param de crescer.

- As fronteiras se romperam. Com a pandemia e a ascensão do trabalho home office, está muito mais fácil conquistar vagas fora do país. Os profissionais e as tecnologias brasileiras são muito bem vistas no mercado internacional e existem diferentes oportunidades de trabalho: 100% remoto, híbrido ou presencial.

Entre os milhares de brasileiros que atuam no mercado internacional de tecnologia está o cientista da Computação, Everton de Matos. PhD em Ciência da Computação, Everton conquistou uma oportunidade nos Emirados Árabes, após “testar” o inglês em uma entrevista de emprego:

- Um headhunter dos Emirados Árabes entrou em contato comigo pelo LinkedIn e eu pensei: “Por que não testar o meu inglês em uma entrevista de emprego?”. Fiz a primeira conversa com o RH, depois mais duas entrevistas técnicas, e uma quarta entrevista antes de receber a oferta. Durante as entrevistas técnicas, percebi que, além do conhecimento técnico, o que me ajudou foi eu ter conseguido comunicar o que eu fazia com detalhes. Foram quatro meses de processo seletivo e alguns meses de trabalho remoto antes de efetivamente mudar para Abu Dhabi.

Cientista da Computação, Everton de Matos, em Dubai

 

Everton é Senior Security Research Engineer no Instituto de Inovação Tecnológica (TII), que tem como objetivo se tornar um centro de pesquisa líder global, dedicado a expandir as fronteiras do conhecimento. A instituição possui sete centros de pesquisa. No Instituto, Everton pesquisa Segurança de Sistemas. A empresa tem 300 funcionários entre cientistas, pesquisadores e engenheiros e, destes, 15 são brasileiros.

 

MUITAS VAGAS, POUCOS PROFISSIONAIS

 

De acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), o mercado de TI no Brasil deve criar 420 mil novas vagas até 2024. Destas, 150 mil vagas não vão ser preenchidas.

O motivo? Faltam profissionais no mercado para suprir tanta demanda. E o resultado são empresas que deixam de crescer ou assumir novas frentes devido à falta de mão de obra.

É o caso da empresa gaúcha Meta, que tem mais de 30 anos de know-how no mercado nacional e internacional, quase 2.500 colaboradores e atuação em mais de 100 cidades do Brasil e do mundo.

O diretor de Negócios Internacionais da Meta, Marcos Machado, que hoje atua no escritório da empresa no Canadá, enfatiza:

- Temos mais de 400 vagas em abertos para profissionais ligados à tecnologia e acabamos deixando de assumir projetos ou oportunidades por não termos os profissionais prontos para as demandas.

O espaço para profissionais de TI é tão grande que a empresa desenvolveu um programa de formação, que capacita mais de 300 profissionais sem conhecimento técnico, oferecendo oportunidades para quem deseja iniciar do zero na área.

Sede da Meta em São Leopoldo/RS

HABILIDADES

 

Para aproveitar as inúmeras oportunidades disponíveis no Brasil e no mundo, os profissionais de tecnologia precisam ir além das habilidades técnicas, como ressalta o diretor da Meta:

- O Brasil tem sido visto pelo mundo e por grandes empresas como um polo de tecnologia. Os profissionais brasileiros são muito bem avaliados aqui fora, principalmente pela qualidade técnica. Com um bom inglês e habilidades comportamentais, não existem fronteiras para o profissional brasileiro, que poderá estar fisicamente ou remotamente em qualquer lugar do mundo.

Além do inglês, habilidades como visão sistêmica e de negócios, criatividade, comunicação, inteligência emocional, curiosidade e sede de conhecimento são diferenciais para assumir uma posição no mercado.

O coordenador de Desenvolvimento da multinacional americana Builderall, Neri Aldoir Neitzke, destaca o perfil que as empresas buscam nos profissionais de tecnologia:

- Profissionais com capacidade de adaptabilidade, abertos à culturas e ambientes diferentes, que desejam aprender e se desenvolver, que saibam se comunicar com clareza e que estejam dispostos a liderar processos de transformação digital.

Famoso por desenvolver vídeo-aulas de programação, Neri já compartilhou seu conhecimento em mais de 200 palestras em oito países. E a experiência internacional do coordenador de Desenvolvimento da Builderall comprova que as habilidades técnicas importam, sim, mas não chegam aos pés da vontade, da convicção, da dedicação e da iniciativa dos profissionais de TI que desejam alavancar a carreira no Brasil ou fora do país.

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