Comunicação

Notícias

VOLTAR
06/09/2021
Sou Arquiteto, e agora o que posso fazer?

Por: Daniel Santos

() comentários

Renomados profissionais da área mostram caminhos que podem ser seguidos para alcançar o sucesso  

Em que áreas posso atuar na profissão? Essa é uma dúvida muito comum entre aqueles que pretendem fazer um curso superior e até mesmo para quem já atua na área e exerce a função.  

Na arquitetura, o panorama não é diferente. Da mesma maneira que há áreas onde a remuneração é maior, existem outras que passam despercebidas. Além disso, com os constantes avanços da tecnologia e da computação, muitas novas áreas estão surgindo dentro da Arquitetura e buscam por profissionais qualificados.

Para te ajudar a encontrar um caminho, neste conteúdo vamos apresentar algumas das principais possibilidades em que um arquiteto pode atuar, a partir da experiência de renomados profissionais. Quem sabe você não descobre algo novo em que poderá trabalhar no futuro? Vamos lá?

Mas antes disso, vale lembrar que um dos arquitetos mais famosos do Brasil foi, sem dúvidas, Oscar Niemeyer. Sua exploração de técnicas como concreto armado e muitas outras fez com que ele fosse apontado até hoje como uma das figuras-chave no desenvolvimento da arquitetura moderna. Apesar de ser muito associado com a criação de Brasília, o arquiteto possui trabalhos não só no Brasil, mas em várias cidades pelo mundo, como Nova Iorque (EUA).

 

Arquitetura como time de futebol

 

Antes de escolher uma área para seguir, o arquiteto precisa estar atento às novidades tecnológicas e, assim como em todas profissões, essas mudanças são constantes. A especialista em Gerenciamento de Projetos, Ellen Renata Bernardi, que é Partner & CMO da OSPA Arquitetura e Urbanismo de Porto Alegre, comenta que os softwares utilizados e já conhecidos dos arquitetos também passam por atualizações. “É uma profissão que nos exige essa atualização tanto no âmbito profissional como educacional e isso se dá por conta do acesso à informação, que hoje temos à disposição nas diversas plataformas”, reflete.

 

A especialista em Gerenciamento de Projetos, Ellen Renata Bernardi, comenta que os softwares utilizados e já conhecidos dos arquitetos também passam por atualizações

 

Ellen brinca que a Arquitetura funciona como um time de futebol completo. Os profissionais precisam ocupar posições como a do goleiro, zagueiro, meio de campo e ataque. “Consideramos que fazer projeto é o ataque. Neste caso, muitos preferem fazer projetos, pois visualizam o gol. Mas existem muitas outras opções de suporte, que são extremamente importantes, como compatibilizadores de escritório, vendas, fornecimento de insumos, entre outros. A nossa profissão é multidisciplinar, o que nos permite trabalhar muito bem em outros segmentos, além da construção civil”, acrescenta.

Para quem deseja cursar Arquitetura ou já está na faculdade, Ellen aconselha que o estudante busque o máximo de informação possível. “Façam pesquisas, trabalhem em escritórios e, se tiver a possibilidade, façam estágio em órgão público. Todas essas experiências vão ser muito importantes para a formação profissional, vai ajudar na gestão do escritório que vai trabalhar ou que vai ter”, finaliza.

Para conhecer o trabalho da Ospa, acesse o perfil no Instagram: @ospa.com.br

 

O arquiteto pode atuar na área da educação?

 

A resposta para a pergunta deste título é sim! O arquiteto tem várias habilidades e competências essenciais para contribuir com a área da educação, o que possibilita trabalhar numa perspectiva de codesign no ambiente escolar. Além disso, pode cocriar sequências e materiais pedagógicos com os professores, coordenadores pedagógicos, pais e crianças.  

 

O codesign de brinquedos pedagógicos é uma das maneiras do arquiteto atuar junto às escolas.

 

O codesign de brinquedos pedagógicos é uma das maneiras do arquiteto atuar junto às escolas. Assim, surgiu, em abril de 2021, a startup Missão Criativa que recebe tecnologia transferida da pesquisa científica e já foi reconhecida como finalista no desafio universitário para a primeira infância. “Nosso propósito é ativar a criatividade nas crianças, desenvolvendo a persistência, o foco e como lidar com a frustração, numa aprendizagem divertida e criativa”, comenta uma das desenvolvedoras do projeto, a Doutora em Arquitetura e Pós Doutora em aprendizagem baseada em projetos por Laspau afiliada a Harvard University, Andrea Mussi. 

Para fazer acontecer o Missão Criativa, a mestranda em Arquitetura pela IMED, Luísa Deon, desenvolve, junto com Andrea, diversas ferramentas, técnicas e métodos para ativar a criatividade e, assim, contribuir com uma aprendizagem significativa. “Temos que preparar as crianças para um mundo em constante transformação. Ter a capacidade criativa desenvolvida ajudará muito na resolução otimizada de problemas que nem sabemos bem quais serão no futuro”, ressalta.

 

Apaixonadas pelo processo de criatividade, Andrea e Luísa, compreendem que o incentivo à curiosidade e explorar novas opções são elementos que possibilitam buscar novas soluções no ato de inovar

 

Apaixonadas pelo processo de criatividade, Andrea e Luísa, compreendem que o incentivo à curiosidade e explorar novas opções são elementos que possibilitam buscar novas soluções no ato de inovar. “Usando princípios da cultura maker, fabricação digital, eletrônica, robótica e programação. Desenvolvemos conceitos de pensamento computacional, sequência lógica e peças intercambiáveis e recicláveis. Estas peças podem se transformar em novos brinquedos com funções e contextos distintos, ativando mais a criação e a construção de novos brinquedos”, finaliza Andrea.

 

Para conhecer o projeto Missão Criativa, acesse o perfil no Instagram @missao.criativa

 

Carreira acadêmica na Arquitetura. Vale a pena?

 

Assim como acontece em todas áreas do conhecimento, a carreira acadêmica, além de contribuir para os avanços da área, também traz muitos benefícios para quem quer ser professor ou pesquisador.

Para Paola Pol Saraiva, que escolheu a IMED para fazer o mestrado em Arquitetura e Urbanismo, o curso tem contribuído de muitas formas. “Primeiramente, eu diria que o mestrado me possibilitou um desenvolvimento pessoal gigantesco, no sentido de me deixar mais segura com o meu trabalho, com uma comunicação muito mais clara e uma postura muito mais profissional, o que se reflete em várias áreas da minha vida. Além disso, o mestrado me mostrou os caminhos para buscar aprender tudo aquilo que eu preciso no âmbito profissional”, declara.

 

Para Paola Pol Saraiva, que escolheu a IMED para fazer o mestrado em Arquitetura e Urbanismo, o curso tem contribuído de muitas formas. 

 

O mestrado preparou Paola para iniciar a trajetória na docência. “Tive a oportunidade de, logo após finalizar a defesa da minha dissertação, começar a dar aulas na graduação. Me senti muito segura em todos os processos envolvidos, desde o preparo das aulas até os desafios de estar na posição de professora. Esse caminho dentro da docência me trouxe uma realização muito grande”, recorda.

Para quem planeja seguir carreira como pesquisador ou professor na Arquitetura, Paola, aconselha aproveitar todas as oportunidades que surgirem, como estágios, participar de grupos de pesquisa ou trabalhos voluntários, construir parcerias, aprender a trabalhar em grupo. “Creio que temos que ‘experimentar’ das muitas áreas que existem dentro da profissão para sentirmos em qual delas temos mais afinidade e, acima de tudo, prazer, amor e responsabilidade naquilo que escolhermos, seja em forma de projeto, seja conduzindo obras ou ensinando. O ‘universo’ da Arquitetura é imenso e apaixonante!”, finaliza.

 

Arquiteto brasileiro no exterior

 

Trabalhar no exterior pode ser o sonho de muitos arquitetos, pois atuar em outro país, além de permitir viver experiências diferentes, também possibilita o contato com outros profissionais e pode enriquecer muito o currículo. Exemplo disso é a mestre em Arquitetura Rafaela Citron, que hoje mora em Londres, na Inglaterra. Porém, a maior cidade da Europa não foi sua escolha inicial, a terra do Big Ben e do Palácio de Buckingham surgiu por acaso em seu caminho. “Eu fiz mestrado na Itália, mas o mercado de trabalho lá é bem ruim. Como eu falava inglês, a única outra opção na Europa era o Reino Unido, e daí escolhi Londres”, comenta.

 

A mestre em Arquitetura Rafaela Citron atua em Londres, na Inglaterra

 

Rafaela fez o mestrado em arquitetura na Politecnico di Milano. Possui experiência na área de Arquitetura e Urbanismo com ênfase em restauro e conservação do patrimônio histórico. Essa experiência foi uma das situações responsáveis por sensibilizá-la para uma carreira no exterior. “ Para valer a pena, a pessoa tem que, primeiro, querer muito morar fora, antes de qualquer coisa. Não é pela profissão em si que vale a pena. Depende muito também da área que o arquiteto quer atuar. Tem áreas que aqui tem muito mais mercado do que no Brasil, como a que eu atuo, que é restauro. Mas tem outras que, no Brasil, são melhores, como interiores. E também tem toda a questão de ser um estrangeiro, que, muitas vezes, pode não ser fácil. Por isso, a vontade de morar fora deve vir antes da vontade de fazer carreira com arquitetura, porque isso pode demorar”, aconselha.

 

Em Londres, ela gerencia equipe de profissionais envolvidos nos projetos

 

Em seu dia a dia na Capital da Inglaterra, além de projetos que são executados do início ao fim, das primeiras ideias até a entrega da obra, ela gerencia equipe de profissionais envolvidos nos projetos, que por vezes pode ser grande, e inclui engenheiro civil, elétrico e mecânico, designer de interiores e mais uma série de profissionais que não há no Brasil.

“As habilidades não mudam muito de país para país. As maiores dificuldades são a adaptação com a legislação e todo o processo de aprovação de projetos. E, claro, o idioma”, acrescenta.

O primeiro passo é estudar a língua, ler artigos em inglês, seguir perfis no Instagram de arquitetos de fora para se ir acostumando com o vocabulário. Segundo passo, não desistir! O processo todo pode ser bem difícil e desanimador. Conseguir o primeiro emprego na área é bem difícil, então é importante estar preparado para trabalhar com outra coisa no início, até conseguir o tão sonhado emprego na arquitetura no exterior”, finaliza Rafaela.

No instagram @rafa_arqurbuk, ela compartilha sua experiência como arquiteta em Londres e mostra aos seguidores a surpreendente arquitetura inglesa que passa pelos castelos medievais aos edifícios high tech.

 

O que faz o Arquiteto?

 

 Veja algumas opções que podem ser bem atrativas na Arquitetura:

 

Desenvolvimento de projetos: A área mais comum na arquitetura.  O profissional projeta casas, edifícios e outros ambientes que sejam, no geral, bonitos, confortáveis e funcionais.

Concursos: Na carreira pública, é possível atuar em projetos, no urbanismo, na restauração e na conservação do patrimônio histórico.

Patrimônio histórico: Também é possível atuar na restauração e manutenção de patrimônios históricos. A principal atribuição é manter as características originais do projeto. A área é essencial para a manutenção da memória histórica.

Design de Interiores: Área que tem ganhado força nos últimos anos. Possui como propósito organizar o espaço da maneira mais otimizada possível, ou então, saber orientar na escolha dos móveis.

Acompanhamento e administração de obra: Existem profissionais que precisam estar no canteiro de obra para fazer o projeto acontecer.

Urbanismo: O arquiteto que atua na área do urbanismo tem como uma de suas atribuições planejar um espaço público seja em uma região, cidade ou em um bairro.

Paisagismo: No paisagismo, a natureza é  parte essencial para o conjunto da obra. O paisagista pode trabalhar também na recuperação de paisagens naturais que foram devastadas

 

Arquitetura x Tecnologia

 

Não há dúvidas de que a principal ferramenta de sucesso do arquiteto é a sua criatividade. Os instrumentos que ele utiliza são responsáveis por concretizar suas ideias em grandes projetos. Você já parou para pensar no quanto o uso do computador influencia no seu trabalho?

Arquiteto, especialista em design gráfico e apaixonado por comunicação e artes visuais, o Diretor de Operações (COO) da Razor Computadores, André Luiz Reichert,  ajuda os arquitetos quando o assunto é a escolha por uma máquina ideal . Para ele, na hora da escolha é  preciso saber se o equipamento atende ou supera as expectativas do profissional.

 

Arquiteto, o Diretor de Operações (COO) da Razor Computadores, André Luiz Reichert,  ajuda os arquitetos quando o assunto é a escolha por uma máquina ideal 

 

“Nosso processo é altamente consultivo desde o primeiro contato. Mas é importante saber qual é seu propósito? Você trabalha mais com modelagem 3D? Trabalha mais com Renderização e visualização, que são as chamadas maquetes 3D? Você utiliza mais softwares CAD ou BIM? Qual dessas atividades lhe toma mais tempo? Está mais preocupado com a qualidade do render para suas apresentações ou trabalha mais com projetos executivos, detalhamentos, etc.? Mobilidade sempre é importante, mas o investimento é maior: isso cabe no seu orçamento? Essas e outras perguntas irão surgir ao longo do contato com nosso time de consultores especialistas que vão bolar uma solução que não é tirada da prateleira, mas construída junto com o cliente”, aponta.

Na hora de escolher um computador, o arquiteto precisa levar em consideração o orçamento, explica André.  “Ele é o principal limitante das outras escolhas nesse processo. Lembre-se sempre que se estivermos falando em notebook, o investimento sempre será maior comparado a um computador desktop de mesma configuração. Feito isso, comece a analisar sua rotina de trabalho: qual é sua real necessidade? O que pensa em atingir com essa máquina? Faz sentido investir numa supermáquina para renderização sendo que você faz poucos renders por mês? Você passa mais tempo no SketchUp que no Revit? Talvez seja mais interessante considerar uma placa vídeo melhor ao invés de um processador mais parrudo”, aconselha.

Assim como em todas as áreas, a Arquitetura também passa por constantes evoluções. “Quando falamos de grandes projetos corporativos as decisões hoje passam por análise solar, de ruído, de conforto térmico e lumínico em softwares especializados, ainda nos primeiros estudos. Já os projetos menores, como residenciais, a renderização de imagens não é mais opcional, mas obrigatória: o render certo pode lhe conquistar não apenas um, mas vários clientes quando se tem um bom portfólio. Estar preparado e com as ferramentas certas para entrar nesses mercados não é mais diferencial, mas requisito básico. Lembre-se sempre que não é o computador ou o software que lhe tornará um grande arquiteto ou arquiteta. Será a sua cabeça, sua maneira de pensar: o resto são apenas ferramentas, qualquer um pode aprender”, finaliza André. 

Galeria de Imagens
comentários sobre esta Notícia