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05/11/2019
Pesquisa analisa desafios de sucessoras em empresas familiares

Por: Eduarda Ricci Perin

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Mulheres que assumem empresas familiares superam adversidades, resistência, preconceito e as relações de poder no contexto empresarial

 

Com o aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho e a conquista de seu espaço ao longo do tempo, muitas estão assumindo o papel de gestoras de empresas familiares em consequência do processo de sucessão.

Neste contexto, um estudo foi realizado por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Administração (PPGA) da IMED com o objetivo de analisar mulheres na sucessão em duas empresas familiares gaúchas. A pesquisa possibilitou analisar a gestão das mulheres que superaram as adversidades, a resistência, o preconceito e as relações de poder no contexto empresarial. Também foi possível analisar os vários desafios que as mulheres enfrentam na sua gestão e no momento da sucessão empresarial. 

De acordo com uma das pesquisadoras, a professora Dra. Shalimar Gallon, os resultados da pesquisa apontaram fatores que facilitam e dificultam no processo de gestão feminina na sucessão:

        

Fatores Facilitadores

Fatores Dificultadores

Conhecimento profundo da empresa pelas sucessoras.

Conciliar os diversos papéis da mulher (familiares, sociais e profissionais).

Reconhecimento da sucessora.

Preconceito quanto à gestão feminina.

Bom relacionamento com liderados e demais stakeholders.

Falta de formalização do processo sucessório.

Apoio do fundador, principal elo no processo.

 

Para a professora, a pesquisa mostra que a gestão feminina decorrente da sucessão familiar parece ser naturalmente aceita, sem muitos questionamentos, representando uma escolha lógica na sucessão dos postos de comando da empresa.

Com a pesquisa ainda foi possível perceber que, aos poucos, as mulheres estão ocupando o seu espaço no contexto corporativo familiar desmistificando o conceito de sexo frágil e demonstrando capacidades, conhecimentos, habilidades e atitudes para assumir os negócios e enfrentar os desafios da gestão feminina. “Também se evidencia que as empresas ainda sofrem com valores machistas e falta de confiança no trabalho da mulher, principalmente nas empresas com ambientes masculinos. Assim, mulheres gestoras, para conquistar seu espaço nas organizações familiares, precisam superar atitudes de descrença ou resistência que colocam a prova sua competência e habilidade para assumir o negócio”, destaca a professora Shalimar.

A pesquisa foi realizada pelos professores Dra. Shalimar Gallon e Dr. Carlos Costa e pelas mestrandas Elem Rabelo Duarte Vaz e Aline Carla Petkovicz.

 

Análise das empresas familiares

Em uma empresa do setor de materiais elétricos e hidráulicos foi observado o desejo do fundador em transferir o comando da organização para as filhas, mas ao mesmo tempo não admite se ausentar da empresa por muito tempo. A atitude protetora dos pais se justifica pelas ameaças externas que as mulheres ainda enfrentam pelo preconceito machista em relação à gestão feminina. Tanto que “um dos motivos que empresa nasceu era para as filhas não caírem na mão de outras pessoas e não sofrerem. Então, foi uma maneira que meu marido encontrou, a gente as educa e protege também”, afirmou a fundadora. Ademais, a sucessora tem inovado com a aplicação de novas práticas na empresa mostrando a pró-atividade e dinamismo da sucessora, sustentadas por suas relações e conhecimentos adquiridos durante suas experiências profissionais na empresa familiar.

Na empresa do setor de distribuição de produtos veterinários, o reconhecimento da gestão feminina ficou evidente pela admiração dos empregados, pela postura e humildade da gestora que entrou na empresa como outra empregada qualquer e cumpre os deveres e compromissos como os demais. No entanto, também se percebe o machismo na organização sendo que “a maioria dos compradores das empresas são todos homens. Quando eles vêm falar comigo parece que eles têm mais receio de falar”, relata a sucessora.

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