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17/04/2019
O porquê de não oferecer chocolate aos animais de estimação

Por: Francine Tiecher

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Professora do Curso de Medicina Veterinária da IMED, Dra. Lygia Maria Mouri Malvestio fala sobre os malefícios causados aos pets pelo “vilão” da Páscoa

 

O chocolate é considerado um alimento nutritivo que, além de saboroso, atua como fonte de proteínas, gorduras, cálcio, magnésio, ferro, zinco, vitaminas E, B1, B2, B3, B6, B12 e C. Esses nutrientes somados proporcionam benefícios à saúde, se o chocolate for consumido com moderação.

Sendo assim, o chocolate é um alimento altamente palatável e muito atraente também aos cães. Nesta época do ano, quando nos aproximamos da Páscoa, os tutores são seduzidos pelas prateleiras abarrotadas de ovos apetitosos e, ao degustá-los, acabam cedendo às investidas dos pets e oferecendo aquele “pedacinho”.

“Na constituição do chocolate, além da grande quantidade de carboidratos e lipídios, estão as metilxantinas, como a teobromina, teofilina e a cafeína que são conhecidas por serem estimulantes do sistema nervoso. As metilxantinas são as maiores causadoras de intoxicação nos cães e a quantidade desta varia de acordo com o tipo de chocolate. Quanto mais matéria lipídica possuir, menor será o teor de teobromina, como por exemplo, os chocolates brancos, que não oferecem tanto risco de intoxicação para os cães. Quanto mais escuro, “puro e concentrado” for o chocolate, mais teobromina possui, e assim, maior o risco de intoxicação. Dessa forma, o chocolate meio amargo é o que oferece maior risco de intoxicação, pois possui em torno de 5,7 mg teobromina por cada 1g chocolate. Já no chocolate branco esse teor gira em torno de 0,25mg/g chocolate”, explica a professora do Curso de Medicina Veterinária da IMED, Dra. Lygia Maria Mouri Malvestio.

A docente ainda alerta que a metabolização das metilxantinas nos cães encontra algumas particularidades que tornam a sua ingestão altamente tóxica. Um fato importante da teobromina é a sua meia vida, ou seja, o tempo que fica agindo no sangue do animal. Em cães esse tempo chega a uma média de 17,5 horas.

O tamanho do cão também influencia na intoxicação. “Geralmente ela é mais comum em animais de pequeno porte, pois há maior quantidade de chocolate disponível em relação ao seu peso corporal. As quantidades tóxicas não necessariamente precisam ser ingeridas de uma única vez, já que a teobromina leva longos períodos de tempo para ser metabolizada. Em consequência disso, doses repetidas em dias sucessivos também podem levar à intoxicação” frisa Lygia.

Dra. Lygia Maria Mouri Malvestio 

 

E como saber se o meu pet está intoxicado por essa substância? A médica veterinária pontua que a intoxicação por metilxantinas em cães manifesta-se como estimulação do sistema nervoso (excitação), taquicardia e micção excessiva. Outros sinais clínicos incluem: vômito, diarréia, polidipsia e poliúria (animal ingere mais água e urina mais), além de hipertermia (aumento da temperatura corpórea) e em casos mais graves, coma e morte.

Importante ressaltar que não existe antídoto específico para a intoxicação com metilxantinas e então o tratamento deve ser o de suporte para os sintomas apresentados. Trata-se de uma emergência médica e a intervenção do Médico Veterinário se faz necessária, onde, na maioria dos casos, a internação é recomendada.

 

 

**Foto 1: Reprodução internet

**Foto 2: Francine Tiecher / Comunicação IMED

 

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