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09/06/2020
O novo normal e a aceleração da odontologia digital

Por: Karen Vidaleti

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Profissionais de diferentes especialidades debatem os impactos e desafios da nova realidade

É hora de se adaptar! Se a odontologia digital já estava em curso, no “novo normal” esse processo deve sofrer uma aceleração significativa. Ao cirurgião-dentista, cabe se preparar para lidar com os principais impactos e os desafios dessa nova realidade. Estes foram aspectos que nortearam o webinar “Odontologia digital para todos: o novo normal”, promovido pela IMED na noite desta terça-feira (9).

O evento trouxe como painelistas: Aloísio Oro Spazzin, vice-coordenador do Mestrado em Odontologia e coordenador da Especialização em Prótese Dentária da IMED; Bruno Carlini, coordenador da Especialização em Dentística Restauradora IMED; Gabriel Dolci, key opinion leader Clear Correct Straumann Brasil e professor da Pós-Graduação em Ortodontia; Rodrigo Gomes Beltrão, advanced surgical implant trainee UCLA (USA), coordenador de Pós-Graduação da IMED e da especialização em CTBMF IMED-Santa Casa; e Vinícius Dutra, doutor em Radiologia e professor associado Indiana University School of Dentistry (USA)

O bate-papo teve a mediação de Rafael de Liz Pocztaruk, doutor em Implantodontia, membro do ITI e palestrantes oficial do Digital Smile Design by Coachman.

Ferramenta essencial

Com o olhar voltado à reabilitação estética, Bruno Carlini frisou a importância de compreender e tirar o melhor da odontologia digital para diagnóstico e tratamento. A fotografia digital, por exemplo, pode ser uma ferramenta para melhorar o diagnóstico e realizar planejamentos, que vão desde padrão em linhas até o DSD (Digital Smile Design), permitindo detectar a necessidade de uma cirurgia gengival ou a indicação de laminados cerâmicos. “Através desses recursos digitais, a gente tem muita previsibilidade e o paciente passa a participar da escolha do design dos dentes”, lembrou.

Para ele, os laboratórios demonstram atualmente uma adesão significativamente maior às tecnologias na comparação com os consultórios, o que deve mudar em breve, pois a tendência é que os consultórios avancem em termos digitais. Assim como fez com a fotografia, Bruno mostrou que um scanner de boca também pode fazer muito mais do que substituir a moldagem. Pode auxiliar a definir parâmetros, espessura e delimitar o preparo. Também pode ser usado no planejamento da espessura de placa oclusal e para o armazenamento de banco de imagens. “Então, o scanner não é só um substituto para moldar, mas gosto de lembrar que toda a tecnologia tem que ser vista como uma ferramenta e não o essencial do nosso trabalho.”

Fluxo digital na ortodontia

Com um panorama da trajetória na odontologia, Gabriel Dolci ilustrou os avanços na ortodontia nos últimos anos e mostrou como são utilizadas as ferramentas e softwares digitais. O fluxo de trabalho começa com uma pré-consulta, na qual o paciente recebe um código QR que, ao ser escaneado, direciona a um questionário. A partir daí, são solicitados radiografias, fotografias e escaneamento. O plano de tratamento, a submissão do caso ao paciente e o monitoramento clínico também estão inclusos no fluxo digital. 

Para acompanhar o caso, por exemplo, um kit composto por posicionador de smartphone, aplicativo e afastador bucal auxilia no escaneamento intrabucal. Outro exemplo é um app com o qual o paciente fotografa a si mesmo, possibilitando que o software identifique diversas maloclusões e doenças bucais. “Esqueçam essa ideia de que o ortodontista irá perder a sua função. O futuro terá a inteligência artificial trabalhando junto com o ortodontista”, considerou.

Um caminho sem volta

Com uma analogia entre a evolução da tecnologia, Rodrigo Beltrão ressaltou que a odontologia digital já é uma realidade, cabendo aos profissionais mover esforços para dominá-la. Assim como aconteceu com o lançamento dos primeiros foguetes ao espaço, lembrou que, quando se lida com inovações, erros podem ocorrer, mas que é preciso persistir já que este é um processo em curso. “É importante entender que a gente está em um padrão de preparo da odontologia que já vem há bastante tempo”, avaliou.

Hoje, softwares gratuitos permitem compartilhar com o paciente uma previsão de sua face com e sem mockup. Mais: o armazenamento de imagens digitais pode auxiliar na resgatar o sorriso de pacientes que venham a sofrer uma perda dentária. “É informação precisa para que possamos ajudar as pessoas no futuro com o que temos no presente. O importante em relação ao fluxo digital de hoje e fazer o upload na nossa cabeça, porque o foguete já decolou e quem não estiver nele vai ficar para trás.”

Investir ou não investir?

Associando a odontologia ao processo de construção arquitetônico, Aloísio Oro Spazzin compartilhou sua visão envolvendo a área de prótese dentária. Para ele, a odontologia digital vem otimizar processos, que envolvem desde a comunicação entre profissionais e favorece tanto dentistas quanto pacientes. Perfeccionista assumido, contou que escolheu investir na criação de um laboratório dentro de seu consultório. “Optei por resolver um problema que eu tinha no consultório. Isso, provavelmente, foi a melhor coisa que fiz para mim como dentista, mas tudo precisa ser analisado dentro do nosso contexto.”

Aloísio trouxe exemplos de uso de tecnologias no seu  trabalho, mostrando em quais momentos tem utilizado o digital. “Acredito que a odontologia digital vem para somar e contribuir com o que a gente já tinha. Então, a gente tem que perceber o que é importante e onde a gente deve investir”, pontua.

Radiologia digital

Vinícius Dutra relatou como a tecnologia avançou dentro do CDI (Centro de Diagnóstico por Imagem), do qual é sócio, e como vê a radiologia digital hoje. Atuando também como professor associado da Indiana University, nos Estados Unidos, ele compartilhou algumas apostas em alta em solo norte-americano: 3D printed metal (guias cirúrgicas de redução óssea em metal), zircônia e patient specific (projetos individualizados para planejamento de cirurgias).

Para começar, sugeriu o uso de softwares gratuitos como ponto de partida, o que garante experimentar o digital com investimento zero. “A grande vantagem é que a gente não precisa ter digital, a gente precisa ser digital. Para o paciente, o que importa é o que a gente está mostrando, não se a gente tem uma fresadora no consultório”

Na comparação entre o fluxo tradicional e digital, outra vantagem está na simplificação do processo. Com mais benefícios do que desvantagens, o que falta para a odontologia avançar no digital? A provocação partiu dele e a resposta também: “Na minha opinião, a culpa é nossa. Não conseguimos ao longo dos anos passar para os alunos essa tecnologia como indispensável”.

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