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11/05/2018
Novos modelos familiares e o papel das mães nesse contexto

Por: Francine Tiecher

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O mês de maio é o mês das mães. As comemorações e atividades relacionadas à data são repetidas por nós e para nós desde que começamos a frequentar o ambiente escolar. Essa característica comportamental está impregnada nos indivíduos, e a vamos reproduzindo isso de forma transgeracional, sem pensar a respeito de seu significado.

Mas, e qual seria mesmo o significado de tudo o que envolve a figura materna na sociedade? Quem responde e esclarece alguns aspectos sobre o papel das mães nos contextos dos novos modelos familiares é a professora do Curso de Psicologia da IMED e psicóloga especialista em dinâmica das relações, Me. Susana König Luz.


“A figura materna possui diversos significados, principalmente no que diz respeito aos novos modelos familiares, nos quais as funções parentais são divididas com outras figuras importantes para a criança. Mas, não se pode refletir sobre os desafios da maternidade na família contemporânea sem fazer uma releitura dos conceitos que balizam os estudos sobre configuração família”, destaca.

 

Susana ressalta que é complicado traçar um perfil único da família, pois nas últimas décadas foi possível observar algumas tendências, como a diminuição do número de pessoas que compõem a família, um crescente número de divórcio e recasamento, além do aparecimento dos casais de dupla carreira e também diferentes maneiras de exercer os papéis nas funções parentais. “Hoje, não é tão simples classificar aquelas pessoas que “são da família”, pois temos uma diversidade de situações onde a consanguinidade não é fator decisivo para o parentesco como no caso dos padrastos, madrastas, os filhos dos casamentos anteriores dos pais, que são tão ou mais presentes na vida das famílias quanto os parentes “de sangue”, famílias com dois pais ou com duas mães, filhos adotivos, famílias monoparentais (quando a criança mora só com o pai ou só com a mãe), crianças que moram com os avós.”

E frente a essa atual conjuntura, qual o reflexo dessas mudanças dentro do ambiente escolar? “Com o dia das mães, vemos escolas e creches prepararem lindas apresentações e lembrancinhas. São comemorações que enchem as mamães de orgulho, mas nem todas as crianças têm uma boa relação em família. Para muitas, este tipo de festa fica muito próxima de um tormento. Não é raro encontrarmos depoimentos de mães que ficam muito constrangidas em não comparecer às comemorações na escola, mas a vida atribulada, as demandas do dia-a-dia as impede de estar presente. Neste momento a escola deve se adequar a sua realidade e decidir o que é melhor para os seus alunos e suas famílias: comemorar o dia das mães ou adotar uma comemoração onde todas as pessoas que fazem parte da vida da criança possam estar presentes?

Esta questão será exaustivamente debatida nos anos que estão por vir. Não podemos negar que as famílias mudaram, e com esta mudança surgiram outras formas de fazer o entendimento destas datas festivas. Para alguns pais e seus filhos esta data não tem significado, devendo ser respeitada sua decisão de participar ou não. Por outro lado, temos pais que esperam ansiosos pelas comemorações. A criança também pode opinar, dependendo da sua idade, se gostaria de participar ou não das comemorações na escola. Igualmente ao dia das mães o dia dos pais deverá ser fortemente repensado. Não se trata de acabar com as comemorações nas escolas, mas sim, tornar o ambiente escolar mais próximo da realidade, da própria família ou da família do amiguinho, o qual a criança convive”, contextualiza a psicóloga.

Foto: Reprodução internet

 

Susana ainda comenta que o papel das famílias e das mães mudaram se comparado com as funções que eram desempenhadas por elas a poucas gerações atrás. “Alguns anos atrás, tínhamos o modelo familiar patriarcal, ao qual pertenciam o pai, a mãe e os filhos. Esta imagem foi sinônimo de perfeição por muitas gerações, causando um desconforto em quem não reproduzisse tal modelo. As mães raramente trabalhavam fora e mantinham uma dedicação exclusiva a casa e aos filhos. Hoje, este modelo patriarcal está cada vez mais raro (ainda existem famílias que o mantém). As configurações familiares ganharam outros contornos tendo a mulher entrado no mercado de trabalho tornando-se peça fundamental no sustento da família, não sendo raros os casos em que é a única provedora”, destaca.

A docente finaliza, trazendo o argumento de que a família mudou e devemos ter a clareza de que alguns valores e significados podem sofrer alterações. Por outro lado, podemos ponderar que certos valores familiares são insuscetíveis a mudança, como comemorar o dia das mães. “Por fim, não devemos escolher um lado, ser contra ou a favor, mas sim, respeitar as individualidades de cada família e a forma como escolheram comemorar esta data”.

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