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28/05/2020
Intraempreendedorismo: a estratégia da transformação

Por: Karen Vidaleti

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Profissionais analisam a relação entre cultura organizacional, inovação e empreendedorismo

Tirar projetos do papel, criar soluções, modificar processos e gerar inovação. Tudo isso passa por um processo chamado intraempreendedorismo. O assunto pautou o webinar ‘A estratégia da transformação: os líderes adaptáveis à mudança sobreviverão’, na noite desta quinta-feira (28). O evento reuniu Alda Marina Campos, sócia-fundadora da Pares Estratégia & Desenvolvimento; Luis Fernando Guggenberger, gerente-executivo de inovação e sustentabilidade da Vedacit; Paulo Boneff, gerente de responsabilidade social corporativa da Gerdau e gerente do Instituto Gerdau; e Pedro Waengertner, CEO da ACE.

Eles compartilharam experiências e percepções durante um bate-papo conduzido pelo head de inovação do IMED Hub, Glauber Signori; pelo professor e coordenador do curso de Administração da IMED, Guilherme Vargas; e pelo jornalista Tulio Milman, o editor de Opinião do Grupo RBS, colunista e comentarista de GaúchaZH e RBS TV.

Não existe receita de bolo

O intraempreendedorismo não é um termo novo e, em algumas empresas, pode ser denominado de forma diferente, como empreendedorismo corporativo ou protagonismo corporativo, conforme lembrou Alda. Integrante do time global da Liga de Intraempreendedores, sendo responsável pela coliderança no Brasil e no Centro de Intraempreendedorismo, ela relatou que esse processo está ganhando força na cultura das organizações. 

Como principais motores para esse crescimento, estão a motivação, aliada aos ciclos cada vez mais rápidos das empresas e à necessidade de as marcas impactarem a vida das pessoas de forma positiva. Diante desse contexto, trabalha a Liga de Intraempreendedores, uma comunidade que busca destravar o potencial humano, que atua em três vertentes: desenvolver o intraempreendedorismo, promover a aprendizagem organizacional e fortalecer o ecossistema. “O que aprendi é que intraempreendedorismo é prática. Não tem uma receita, a gente precisa aprender praticando”, destacou.

Assim, é preciso dar espaço para que a inovação aconteça. Segundo artigo publicado na Business Harvard Review, 70% dos empresários de sucesso começaram a ter suas ideias de negócio antes de sair do seu empregador e relatam que não encontraram dentro da organização o ambiente esperado para lançar suas ideias.

O futuro (para empresas e profissionais)

Executivo de inovação e sustentabilidade na Vedacit, Luís Fernando trouxe a experiência da empresa, onde foi estruturada a inovação de fora para dentro, trabalhando com startups de construção civil. Em seguida, foi a vez de trabalhar para mudar o mindset dos colaboradores, o que foi feito através de uma estratégia que a empresa chamou de inovação de dentro para dentro. Além disso, fechando o ciclo, a Vedacit passou a integrar o Centro de Intraempreendorismo, encaminhando colaboradores para programas de capacitação. Essa etapa foi denominada de inovação de dentro para fora. 

“A gente começa a trabalhar com uma visão de intraempreendedorismo onde os colaboradores podem desenvolver projetos importantes para a empresa, projetos que se tornem estratégicos para a companhia”, observou. Outro ponto que merece atenção, segundo ele, é a retenção de talentos. “Como a gente pode manter esse vínculo com os colaboradores que querem e têm o perfil para empreender por aí a fora? Como a gente cria um projeto em que os colaboradores possam ser empreendedores dentro das nossas organizações e que esses projetos virem startups?”, instiga.

Organizações que buscam inovar precisam produzir uma boa cultura organizacional. “Intraempreendedorismo para mim é uma habilidade do futuro não só para as empresas, mas também para as nossas próprias carreiras.”

Colaborar é preciso

Gerente de responsabilidade social corporativa da Gerdau, Paulo Boneff lembrou que a cultura do empreendedorismo foi o que permitiu que a fábrica, que nasceu em solo gaúcho, chegasse aos 140 anos como a maior empresa de aço brasileira. “Fortalecer a cultura do empreendedorismo e fomentar isso na sociedade é um legado que a gente quer ter. A gente construiu em 2018 um propósito de negócio que passou a ser empoderar pessoas que constróem o futuro. A gente não tem mais missão e valores, temos um propósito e um princípio.”

A organização também fez parte da criação do Centro de Intraempreendorismo no Brasil, desenvolvendo projetos como o Lab Habitação, que busca qualificar empreendedores que atuam em soluções de inovação para baixa renda. “A gente entende que a colaboração é fundamental nessa cultura do intraempreendedor. O intraempreendedor é uma pessoa que está incomodada com aquela situação, quer propor uma mudança, uma inovação, mas, ao mesmo tempo, é uma pessoa que trabalha com colaboração. Quanto mais cabeças e organizações - sejam elas públicas, privadas ou do terceiro setor - estiverem trabalhando juntas, mais rápido a gente consegue atingir resultados e com uma escala muito maior.”

Na realidade da Gerdau, o tema do intraempreendedorismo, segundo ele, passa desde o CEO até as equipes nas fábricas. “A gente entende que a contribuição que a organização pode dar e deve dar à sociedade passa por um caminho de colaboração”, aponta.

Perfil intraempreendedor

CEO da ACE, que atua com investimentos em startups, Pedro contou que a busca de organizações por desenvolver o intraempreendedorismo levou a sua empresa a desenvolver uma solução com esse objetivo. O executivo considerou que tudo foi criado por um empreendedor, seja ele alguém que criou uma empresa ou que contribuiu para levar o produto ao mercado. “Existe uma falsa noção no mercado de duas classes de empreendedores, que é o de primeira linha, que seria o empreendedor de fora, e o de segunda linha, que seria o de dentro. E a gente acha que isso não pode ser mais falso”, narra. 

Ele acredita que esses dois tipos de empreendedores carregam características diferentes. Uma delas é que o empreendedor para dentro precisa falar a linguagem da inovação e, ao mesmo tempo, a linguagem corporativa. “Um perfil padrão corporativo desistiria no primeiro não e o intraempreendedor precisa continuar insistindo até receber o sim para o projeto. Isso pode ser muito frustrante.”

Pedro ainda destaca que não existe um plano de carreira claro para o intraempreendedor, o que é algo que está começando a evoluir dentro das empresas. Outro aspecto abordado é a diferença de ganhos. “Enquanto o empreendedor na rua tem um ganho muito grande se acertar e uma perda muito grande se errar, no meio corporativo, o sanduíche de incentivos é muito menor. As empresas estão tentando corrigir isso, porque intraempreendedores geram uma riqueza muito grande para a companhia”, relata.

Eliminar barreiras também é um desafio. “É preciso que a alta direção da empresa compre a existência e a necessidade de ter o intraempreendedorismo e, mais do que isso, dar a pista necessária para que ele consiga voar”, pontua.

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