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17/06/2019
Evolução da educação requer diálogo, colaboração e capacitação

Por: Karen Vidaleti

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Segundo encontro FutureGov Conference reuniu lideranças e especialistas na IMED para debater sobre educação

Capacitação, colaboração e diálogo estão entre os pontos comuns expressados pelos participantes da segunda edição do FutureGov Conference, quando se fala em evoluir na área de educação. O evento reuniu um público seleto, formado por cerca de 160 pessoas, no Teatro da IMED Campus Porto Alegre, na sexta-feira (14), para debater soluções para a área. Participaram o diretor de Estratégia Política do Todos pela Educação, João Marcelo Borges; o empresário Jorge Gerdau Johannpeter; o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) José Henrique Paim; e o diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos. A mediação foi conduzida pelo coordenador do Laboratório de Ciência e Inovação para a Educação, InovaEdu, professor Amilton Martins.

João Marcelo Borges disse que é preciso desmistificar a sensação de “terra arrasada”. Ao trazer dados que expõem um índice de alfabetização de 75% das crianças de 8 anos nas escolas brasileiras, o convidado argumentou que o Brasil conseguiu introduzir na escola um contingente significativo de alunos, em um curto período. Ainda chamou a atenção para a importância de desenvolver políticas de base, bem como de consolidar a gestão e governança de um sistema nacional de educação. Ao concluir, enfatizou: “Para além de dizer que o Brasil precisa de um programa de estratégia prioritária, o sistema de educação nunca é melhor do que a qualidade de suas pessoas. A melhor coisa que se pode fazer, indiretamente, é formar bons professores e bons pesquisadores”.

Para José Henrique Paim, mais do que habilidade técnicas, a educação deve focar em desenvolver pessoas, pois, diante das transformações sociais e tecnológicas cada vez mais rápidas, a reflexão será o grande diferencial no futuro. Segundo ele, é preciso transformar essa organização em um sistema mais colaborativo e realmente voltado à aprendizagem e à inclusão. “O governo estadual não pode trabalhar com a ideia de que a educação do estado é somente a estadual, é preciso olhar para o problema de todos os municípios. A cultura de acompanhamento e colaboração é o que nos permite avançar e a gente precisa construir isso no Brasil”, argumentou.

Da esquerda para a direita, os painelistas Gerdau, Mozart, Amilton, Paim e Borges

Em seguida, Mozart Neves Ramos reforçou a necessidade de buscar a renovação. Na avaliação do professor, o mundo exige respostas simples para problemas complexos e o País pensa o futuro, mas continua a construir salas de aula como no século XIX. “Precisamos desenvolver novas habilidades, como o pensamento crítico, a colaboração, o trabalho em equipe, a abertura ao novo. Os professores precisam estar atentos a essas competências para preparar as pessoas para esse novo mundo. Não é a tecnologia, o novo mundo vai exigir, cada vez mais, qualidades humanas”, destacou. Nos últimos anos, o Brasil, afirmou Mozart, potencializou o sistema de pós-graduação, no entanto, é crucial não esquecer da educação de base. “Se não formos capazes de olhar a outra ponta do iceberg, estaremos dando um tiro no pé. Precisamos reconhecer o déficit de aprendizagem na educação de base e aperfeiçoar processos.”

Gerdau, por sua vez, reconheceu que é preciso se indignar com a questão da educação no Brasil. O empresário destacou a relevância de investir na educação básica e buscar o desenvolvimento das habilidades humanas. Ainda recorreu à meritocracia para ressaltar a necessidade de valorização e recapacitação de professores. “A educação não é como outros temas. O que fizermos hoje ainda estaremos pagando daqui a muitos anos. Por isso, é preciso fazer certo desde o início”, frisou, ao classificar a educação como elemento-chave para a competitividade e o crescimento econômico de um estado ou país.

Esta foi a segunda FutureGov Conference, iniciativa promovida pelo Centro de Inovação e Governança em Políticas Públicas (FutureGov) da IMED, com o apoio do Laboratório de Ciência e Inovação para a Educação, InovaEdu. “Este, talvez, seja o mais importante dos debates que precisamos realizar, pois a educação é essencial para retomar um ambiente em que o País possa se reencontrar novamente”, avaliou o presidente da IMED, Eduardo Capellari. Ainda para este ano, estão previstas edições sobre saúde, segurança e cidades inteligentes.

Fotos: Karine Viana

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