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24/11/2021
Estudo realiza análise geoespacial de Aedes Aegypti em Passo Fundo

Por: Eduarda Perin

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Pesquisa desenvolvida no Mestrado em Arquitetura e Urbanismo da IMED aponta supressão da vegetação e altas taxas de densidade urbana como agravantes para a proliferação do mosquito

 

Os arbovírus – vírus transmitidos por artrópodes, como os mosquitos – tornaram-se um grande problema de saúde pública nas últimas décadas. O mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, tem sido o principal vetor responsável pela disseminação dessas doenças.

A forma mais simples de controle do Aedes Aegypti tem sido o extermínio do mosquito em algum momento do ciclo de vida. Porém, um estudo desenvolvido pelo Mestrado em Arquitetura e Urbanismo da IMED apostou na tecnologia geoespacial para identificar possíveis focos, com o objetivo de prevenir e monitorar a disseminação desses vetores.

O estudo, publicado no Journal of Environmental Chemical Engineering, realizou a captura de armadilhas de ovos instaladas na cidade de Passo Fundo. Metodologicamente, 20 pontos foram selecionados para a colocação de armadilhas usando uma Rede Triangular Irregular. Em seguida, armadilhas ovitrampas foram distribuídas nos pontos amostrados, durante todas as estações de 2016 e 2017.

O método da ovitrampa é considerado simples, barato e não agride o meio ambiente: consiste em um recipiente de cor escura parcialmente preenchido com água. Nele é aderido um material áspero (pedaço de Eucatex e papel filtro) que permite a fixação dos ovos depositados pelas fêmeas do mosquito.

O estudo mostra uma diminuição no número de Ae. Aegypti do ano de 2016 ao ano de 2017 em todos os bairros analisados.

O maior número de surtos ocorreu nos períodos de outono e verão, com temperatura média de 18 °C e 350 mm de chuva e 22 °C e 300 mm de chuva, respectivamente. A primavera e o inverno, quando as temperaturas são mais baixas, 16 °C e 17 °C, respectivamente, tiveram menos surtos.

Os locais que se destacaram no estudo foram as duas áreas mais densamente povoadas e menos vegetadas da cidade, o bairro Vila Luiza e o Centro. “Isso demonstra que a supressão da vegetação e as altas taxas de densidade urbana contribuem para a proliferação de Ae. aegypti em escala global”, destaca a pesquisa.

Os dados diagnósticos do estudo estão de acordo com os dados da vigilância epidemiológica do município de Passo Fundo, no que se refere aos fatores abióticos, temperatura, precipitação, densidade populacional e relevo que influenciaram no surgimento dos surtos no município.

O maior impacto da pesquisa é a metodologia, que utilizou a ferramenta Rede Triangular Irregular (TIN) para posicionar os pontos de análise, obtendo grande êxito quando transposta para a forma espacial na rede urbana, por meio do SIG (Sistema de Informação Geográfica). “Esta visualização possibilitou compreender as dimensões geoespaciais dos focos, facilitando a leitura com mapas temáticos e comparativos, visando subsidiar informações para o controle da proliferação desses mosquitos de forma mais precisa, pois trabalha com técnicas matemáticas para a representação dos dados”, destaca uma das pesquisadoras, a aluna do Mestrado em Arquitetura e Urbanismo da IMED, Laura Pasa Cambrussi.

Nesse contexto, de acordo com Laura, a geotecnologia, contendo ferramentas de geoprocessamento, mostrou-se eficiente na coleta de dados de Aedes Aegypti na área urbana de Passo Fundo.

O estudo foi desenvolvido pelos pesquisadores Emanuelle Goellner, AlcindoNeckel, Brian William Bodah, Laércio Stolfo Maculan, Caliane Christie Oliveira de Almeida Silva, Dirceu Piccinato Junior, Julian Grub, Laura Pasa Cambrussi, Cleiton Korcelski e Marcos L. S. Oliveira.

A pesquisa completa pode ser acessada CLICANDO AQUI.

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