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12/06/2018
E o Dia dos Namorados chegou!

Por: Francine Tiecher

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O mês de junho pode ser considerado o mês mais romântico do ano. Este fato se deve ao dia 12 ser comemorado no mundo todo o Dia dos Namorados. Porém, em alguns países como Estados Unidos, Canadá, Japão, Itália e Reino Unido, a data é comemorada no dia 14 de fevereiro, o famoso “Valentines’s Day.

Explorada mundialmente em filmes românticos, a data pode trazer alguns questionamentos: o que é o amor? O amor verdadeiro existe, ou só nos filmes? Como as pessoas namoram, atualmente?

Quem ajuda a entender um pouco sobre o significado do amor na atualidade é a professora do Curso de Psicologia da IMED, Me. Susana König Luz, que escreve sua tese de doutorado sobre o tema “Construção e Validade da Escala de Amor”, com base na teoria da Psicologia Positiva.

“Podemos começar pelo amor. Segundo a Psicologia Positiva (pressuposto teórico no qual está embasado meu doutorado) o amor assume três formas distintas: o amor da criança para com seus pais, o amor de um pai pelo filho e a terceira forma é o amor romântico.  Para abranger o quão fundamental são estas três capacidades de amar, é preciso entender as suas raízes evolutivas. A continuação da espécie dependia da capacidade de negociar com êxito, pelo menos, três desafios adaptativos. Em primeiro lugar, sobreviver, ao que no reino animal é o mais longo período de imaturidade e dependência. Em segundo, encontrar e, em seguida, manter um companheiro tempo suficiente para se reproduzir. E em terceiro lugar, oferecer adequada atenção aos filhos para que eles, também, sobrevivam para se reproduzir”, explica a docente.

Ainda assim, segundo teóricos da psicologia e estudiosos sobre o tema, os resultados dessas aptidões dos seres humanos enquanto indivíduos é que eles são, por natureza, capazes de desenvolver todas as emoções, cognições e comportamentos que cada desafio requer. Isso é quase algo natural e instintivo.

“Os indivíduos pensam, sentem e se comportam em relação a seus pais de uma forma que ajuda a garantir a sobrevivência. Da mesma forma se comportam em relação aos filhos ajudando a garantir a sua sobrevivência e igualmente em relação aos parceiros de uma forma que ajuda a garantir a reprodução. Cada desafio está associado com um tipo diferente de amor”, comenta Susana.

Pode-se observar que a explicação sobre o que é o amor passa bem longe das concepções hollywoodianas, onde o” viveram feliz para sempre” vai conduzir toda a trama. Em enquetes com amigos, em rodas de conversas, pode-se ouvir frequentemente: “eu não acredito no amor”. OK. Mas, não posso deixar de fazer uma pergunta: “Qual o nome do sentimento que tu tens pelo teu filho?” “Qual o nome do sentimento que tu tens pelo teu melhor amigo”? Possivelmente, a resposta será: amor.

Apesar de todas as descrenças e contradições trazidas pela modernidade em relação ao sentimento de amor, o amor verdadeiro, aquele amor romântico, ainda existe sim! Susana argumenta: 

“Pesquisas apontam que estar em um relacionamento amoroso faz com que as pessoas se sintam bem e associem sentimentos positivos ao relacionamento, reforçando assim seu compromisso com este. Pesquisas acadêmicas descrevem histórias de amor e o significado da expressão: “eu te amo”. Segundo estas pesquisas, nossas histórias de amor se desenvolvem no decorrer de nossas vidas e são levadas por nós para os relacionamentos, de forma transgeracional. As pesquisas sobre o amor ainda são escassas e não explicam toda a subjetividade que define a riqueza da experiência, nem identificam as muitas razões pelas quais alguns prosperam e outros fracassam. O amor romântico é um sentimento amplamente complexo, associado com a vontade intensa, vontade de estar com a pessoa amada, envolvendo processos de intensa emoção e afetividade”.

 

Fazendo menção ao amor líquido de Bauman, podemos nos inspirar em um trecho de música: “eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo me quer bem, eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também”. Este amor seria algo fluído, rápido e que dura pouco. Presente nas relações modernas, esse tipo de amor traz consigo ônus e bônus, conforme exemplifica Susana.

“A facilidade que as tecnologias do mundo globalizado trouxeram são transportadas para as relações e as pessoas acabam tratando umas às outras como mercadorias: têm um tempo de vida útil e, no surgimento de algo mais interessante ou diante de alguma pequena insatisfação, são descartadas.  Por outro lado, a liquidez tem, sim, uma parcela positiva.  Com toda a liberdade e cada vez mais longe da pressão de se casar e formar logo uma família, é possível encontrar alguém realmente especial. Nos relacionamentos modernos, as pessoas "não ficam presas a relações insatisfatórias, pois se sentem no direito de ir em busca de algo melhor, algo mais satisfatório. Mas, especialmente nesta data, a maioria das pessoas não quer estar sozinha. O sentimento de solidão e a vontade de querer viver um amor romântico, com jantar e troca de presentes, ainda é muito enraizada nos indivíduos. Desta forma, com toda liquidez e com a escolha de poder viver um amor satisfatório, a grande maioria das pessoas, jovens ou não, está à procura do grande amor. E o cinema Hollywoodiano tem muita “culpa “nesta história, pois o filme romântico mais visto nos últimos 25 anos continua sendo “Uma linda mulher”.

O importante para seguir feliz é entender o que é o sentido do amor e de que forma ele traz significados para a vida do indivíduo. Parafraseando Lulu Santos “Consideramos justa toda forma de amor!”.

 

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