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06/08/2018
Contexto de trabalho dos professores é estudo de pesquisa na IMED

Por: Liliana Crivello

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De acordo com o levantamento feito pelo Ibope Inteligência em parceria com a rede Conhecimento Social, metade dos professores não recomendaria a um jovem se tornar educador, por considerar a profissão desvalorizada, a maioria (78%) dos professores disse que escolheu a carreira principalmente por aspectos ligados à afinidade com a profissão. Entretanto, 33% dizem estar totalmente insatisfeitos com a atividade docente e apenas 21% estão totalmente satisfeitos.

Durante a pesquisa, foram entrevistados 2.160 profissionais da educação básica em redes públicas municipais e estaduais e da rede privada de todo o país, sobre temas como formação, trabalho e valorização da carreira. A amostra respeitou a proporção de docentes em cada rede, etapa de ensino e região do país, segundo dados do Censo Escolar da Educação Básica (MEC/Inep).

Uma pesquisa intitulada “O bem-estar do professor”, que está sendo desenvolvida sob a coordenação do Professor da IMED, Ph. D., Carlos Costa, e conta com uma equipe internacional da qual também participa a Dr. Maria José Chambel, da Universidade de Lisboa, visa identificar os fatores que levam ao bem-estar docente. “Pois entendemos que não é suficiente compreender os fatores causadores de estresse e adoecimento, mas é preciso enfatizar os motivos de satisfação e engajamento no trabalho, para que possam ser potencializados. A docência é uma profissão socialmente fundamental, pois os professores são os responsáveis pela formação técnica e humana dos cidadãos. No Brasil, no entanto, a profissão passa por uma crescente desvalorização, causada pelo contexto social e econômico do país, o que pode levar a problemas de desmotivação e adoecimento dos professores”, declara a mestranda da IMED, Ana Paula Pessotto, que participa do projeto.

A pesquisa está sendo desenvolvida em 15 municípios da região e tem como foco os professores da educação básica, ou seja, aqueles que ministram aulas na educação infantil, no ensino fundamental e no ensino médio, nas redes municipais e estaduais. Além disso, no município de Passo Fundo, será possível traçar um perfil comparativo do bem-estar dos professores que atuam nas redes públicas com aqueles que atuam nas escolas privadas.

Ao longo das últimas décadas, o Brasil, por meio do Ministério da Educação, tem realizado inúmeras reformas nas diretrizes e bases curriculares da educação. Estas reformas visam, principalmente, conceder maior autonomia ás escolas e, consequentemente, maiores níveis de responsabilidade pelos resultados. Assim, é possível dizer que estas transformações alteraram sobremaneira as atividades dos professores que, além das tarefas pedagógicas inerentes a profissão, passaram a desempenhar também funções administrativas como preenchimento de relatórios, cumprimento de metas e, mais do que isso, passaram a ser responsabilizados pelos resultados relativos a aprendizagem dos alunos, que tiveram progressos muito lentos ao longo dos anos. Além disso, em seu contexto de trabalho, o professor enfrenta os reflexos da inversão de valores da sociedade, assumindo responsabilidades que outrora eram das famílias e tendo que lidar com o desrespeito, a desvalorização e com a violência que, cada vez mais, adentra os espaços escolares, desta forma, manter a disciplina dos alunos se torna um problema. “Não obstante, a crise econômica em que se encontram o país, os estados e os municípios provocaram a defasagem dos salários pagos a estes profissionais. Como consequência, os professores têm de acumular turnos de trabalho, em diferentes escolas e municípios na busca por melhor remuneração ou ainda acabam por abandonar a profissão em busca de trabalhos mais rentáveis”, esclarece Ana Paula.

Estes fatores também têm causado o desinteresse dos jovens pela profissão docente, fator de preocupação no país, tendo em vista a perspectiva futura de profissionais para atender a demanda das escolas. As licenciaturas, cursos destinados a formação de professores, mesmo recebendo incentivos, tem progressivamente diminuído o número de alunos nas últimas décadas. “Assim, espera-se que seja possível identificar quais grupos apresentam maior nível de bem-estar no trabalho e quais aspectos afetam de maneira negativa a saúde dos professores, com ênfase na comparação entre os que atuam nas escolas municipais, estaduais e privadas, já que os professores constituem grupos heterogêneos e o seu desempenho no trabalho depende do nível de ensino, da faixa etária dos alunos, do tipo de instituição e do contexto social de que fazem parte. Uma vez identificados estes fatores, será possível compreender o contexto de trabalho dos professores e propor ações, estratégias e políticas públicas de valorização e de promoção da saúde e do bem-estar deste profissional. Espera-se que os resultados da pesquisa possam ser socializados no início do ano de 2019”, pontua a mestranda.

Fazem parte do projeto: Alda Maria Encarnação dos Santos, Doutoranda, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal, Carlos Costa, Ph.D., IMED, Passo Fundo, Brasil, Coordenador do projeto, Maria José Chambel, Doutora, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal, Naiana Dapieve Patias, Doutora, IMED, Passo Fundo, Brasil, Ana Paula Pessotto, Mestranda, IMED, Passo Fundo, Brasil e William Weber Cecconello, Doutorando, PUCRS. Porto Alegre, Brasil.

 

Formação

Os docentes apontam como medidas mais importantes para a valorização da carreira, a formação continuada (69%) e a escuta dos docentes para a formulação de políticas educacionais (67%). Eles consideram urgente a restauração da autoridade e o respeito à figura do professor (64%) e o aumento salarial (62%).

A remuneração média dos professores no Brasil atualmente, segundo a pesquisa, é de R$ 4.451,56. A maioria dos docentes (71%) tem a profissão como principal renda da casa e 29% afirmam ter outra atividade como fonte de renda complementar.

Segundo a pesquisa, um em cada três professores tem contrato com carga horária de menos de 20 horas semanais, o que pode ter impacto na renda e no cumprimento de um terço da carga horária, prevista na Lei do Piso do Magistério para atividades extraclasse. Pelo menos 58% dos professores afirmam ter tempo remunerado fora da sala de aula. Contudo, somente cerca de 30% dos docentes dispõem de aproximadamente ou mais de um terço da carga horária para planejamento de aula.

 

Políticas públicas

Os professores ouvidos pela pesquisa consideram que é papel das secretarias de Educação oferecer oportunidades de formação continuada (76%), mas não concordam que programas educacionais, como um todo, estejam bem alinhados à realidade da escola (66%). Apontam a falta um "bom canal de comunicação" entre a gestão e os docentes (64%), e dizem que não há envolvimento dos professores nas decisões relacionadas às políticas públicas (72%). Também consideram aspectos ligados à carreira mal atendidos, como o apoio à questões de saúde e psicológicas (84%) e ao salário (73%).

 

Foto: Arquivo/IMED

 

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