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14/09/2021
Como empresas podem gerar inovação usando incentivos fiscais

Por: Karen Vidaleti

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Um dos principais instrumentos de fomento à ciência, tecnologia e inovação no País, Lei do Bem tem seus benefícios utilizados por menos de 1% das empresas 

Acompanhar os avanços tecnológicos é crucial para a perpetuação dos negócios. Isso porque a inovação e a adoção de novas tecnologias impactam diretamente no desenvolvimento de produtos e processos, refletindo nos níveis de competitividade e na capacidade de crescimento das organizações. No entanto, essa transformação, muitas vezes, encontra entraves no que diz respeito a investimentos. O que nem todas as empresas sabem é que é possível utilizar incentivos fiscais para gerar inovação tecnológica.

Atualmente, menos de 1% das empresas utilizam os benefícios da Lei do Bem, um dos principais instrumentos de fomento à ciência, tecnologia e inovação no País, de acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). Na mesma linha, um levantamento realizado pela consultoria Galapos aponta, ainda, que três em quatro empresas não conhecem todos os incentivos que têm potencial de utilizar ou não sabem como utilizá-los.

É para fortalecer a conexão entre empresas, academia e governo que vai operar o Centro de Pesquisa, Tecnologia e Inovação Digital (CETID). Vinculado à Fundação IMED, entidade sem fins lucrativos, o Instituto surge para apoiar empresas desde a identificação de problemas, até a busca por soluções. Para isso, atuará em atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação na área de Tecnologia da Informação e Comunicação. Será o primeiro Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) com este foco a operar no Norte do Rio Grande do Sul.

 “Por meio do CETID, as empresas podem apresentar suas demandas tecnológicas para serem resolvidas por pesquisadores e com suporte de gestão de projetos realizado pela equipe do CETID. Além disso, as empresas que promovem pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica podem usufruir de incentivos fiscais. Para isso, serão realizadas etapas de diagnóstico para identificar a maturidade e o estágio de evolução da empresa, bem como sua aderência a incentivos de apoio à inovação disponíveis”, adianta o coordenador do Centro, Diego Gazaro. 

Além de alcançar a resolução de problemas reais por meio de novas tecnologias, as empresas poderão obter melhor aproveitamento de incentivos fiscais, gerar e acessar novos conhecimentos científicos e tecnológicos, impulsionar resultados e conectar-se ao ecossistema de inovação. 

Big Data, Computação em Nuvem, Impressão 3D (manufatura aditiva), Infraestrutura e Redes de Comunicação, Inteligência Artificial, Internet das Coisas, Manufatura Híbrida, Novos Materiais e Robótica Avançada estão entre as tecnologias utilizadas pelo CETID. Além da Lei do Bem, outros incentivos de apoio à inovação são a Lei de Informática, Rota 2030, Finep, BNDES e Embrapii. 

O Brasil tem o 12ª maior PIB, segundo levantamento da agência de classificação de risco Austin Rating e ocupa o 11º em produção científica, na plataforma Scimago. Em contrapartida, é o 62º colocado no Global Innovation Index (2020). “Não estamos conseguindo transformar ciência em inovação e estamos ficando para trás. Não tem como não prestar atenção no apoio governamental. Sem ele, a empresa não consegue fazer a travessia para essa transformação”, explica o especialista da Galapos, Gleverton De Munno. 

Inovação na prática

Em meados dos anos 2000, ao importar tecnologia para o Brasil, a Stara se deparou com dificuldades no processo pós-venda. A assistência técnica estrangeira gerava morosidade incompatível com a realidade da agricultura. Diante disso, colocou como um dos seus pilares de crescimento dominar a tecnologia. Hoje, tornou-se provedora. Nessa trajetória, o diretor administrativo, Fábio Bocasanta, reconhece que os benefícios fiscais têm sido uma importante fonte para o desenvolvimento de melhorias em processos produtivos e projetos de inovação. 

Um exemplo é o controlador Topper 4500, primeira versão do computador que gerencia as máquinas agrícolas da marca. Ao longo dos anos, o produto foi aprimorado, passando a receber novos recursos em tecnologia embarcada, como agricultura de precisão e zero amassamento. “Nos orgulhamos de ser a única máquina brasileira que produz a sua própria tecnologia”, enfatiza o executivo. Hoje, a empresa conta com 160 engenheiros dedicados a atividades de pesquisa e desenvolvimento. 

Para Fábio, antes de buscar por incentivos governamentais, é importante que a empresa tenha sua cultura voltada para a tecnologia. Além disso, é preciso reconhecer que o processo pode encontrar burocracias, já que se trata de recursos públicos. Entretanto, ele garante que o resultado é satisfatório. “Se você se preparar, seguir de forma organizada, com projetos bem desenvolvidos, o resultado é muito bom. Muitas vezes, falta saber que os benefícios estão disponíveis e os caminhos para utilizá-los. Existem empresas e parceiros que podem auxiliar com isso”, observa.

O Fertisystem Group, especializado em tecnologias para plantio sustentável, recebeu no último ano o seu primeiro acesso a incentivos da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). Com o projeto em fase de desenvolvimento interno, o diretor-presidente da companhia, Evandro Martins, vê essa como uma excelente alternativa para o desenvolvimento de tecnologias de produto, bem como para levar inteligência a sistemas eletroeletrônicos já existentes.

“É preciso se munir de uma certa segurança, no sentido de criar uma relação avançada de tecnologia, e realizar um teste de obviedade, para que essa inovação tenha uma característica de criatividade inventiva, unindo parte científica a ambientes relevantes. Há muitos incentivos, porém, atualmente se carece de projetos, por questões de obviedade criativa. A gente tem que fazer coisas que realmente tenham relevância para que o projeto aconteça. É um processo de construção de conhecimento, junto com o propósito de querer inovar”, afirma.

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