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22/06/2018
Aprendizado além da sala de aula

Por: Liliana Crivello

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A professora do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, PPGARQ-IMED Dra. Andréa Quadrado Mussi é Visiting Scholar de Harvard University desde abril de 2018, quando fez sua primeira imersão de 20 dias nos EUA, desenvolvendo pesquisa com subsídios de Laspau e do Consórcio STHEM Brasil. A oportunidade de ser Research Fellow surgiu quando o projeto de pesquisa intitulado “Learning’s indicators: PjBL blend innovation and technologies as increase of learning” foi selecionado em outubro de 2017 em edital promovido pelo consórcio STHEM Brasil em conjunto com Laspau, instituição afiliada a Harvard University.

Conforme Andréa, o aprendizado não se restringe à sala de aula. “Aprendi muito com todas as pessoas sensacionais que conheci, com tanta informação, oportunidades e experiências. Tudo acontece integrado, naturalmente, a inovação, a tecnologia não é o objetivo em si, os recursos surgem e são criados para resolver algum desafio, um problema muito bem delineado. O aprendizado acontece durante esse processo todo de resolver algum desafio, projeto, problema. A mistura, o encontro num mesmo lugar de pessoas com habilidades e backgrounds diferentes é outra característica promovida pelo próprio sistema de ensino americano”, conta.

Andréa destaca a administração corporativa como o melhor de sua experiência. “No geral da experiência posso destacar a administração corporativa, fazendo com que todos os setores das universidades possuam uma gestão muito organizada e comprometida. Não somente na universidade isso é verificado, na Perkins, primeira escola dos EUA para cegos, fui recebida pelo Diretor de Voluntários da instituição. Essa instituição possui uma estrutura organizacional bem definida que contribui em muito para o sucesso de suas ações”, pontua.

 

Diferenciais

Outras características apontadas pela professora, são a autonomia das escolas, departamentos e instituições, e o aprendizado por pares, os alunos ajudam-se mutuamente por programas que incentivam esse comportamento. “Os alunos de graduação e pós-graduação auxiliam os professores na preparação, feedback e facilitam o aprendizado dos alunos. São chamados de UTA (Undergraduate Teaching Assistant) e GTA (Graduate Teaching Assistant) intermediam o aprendizado efetivo e se capacitam continuamente para desenvolver estudos avançados e feedbacks sobre as aulas para reportar ao professor da disciplina. O sistema de financiamento (os endowments) das instituições americanas de ensino é outra característica que faz toda a diferença e contribui significativamente para a construção e atualização da infraestrutura das universidades, subsidiar alunos com bolsas, fomentar pesquisas e vagas para a contratação de novos professores. A contrapartida é dada no respeito e reconhecimento aos doadores”, justifica.

Segundo Andréa, a infraestrutura dos laboratórios quanto a quantidade e qualidade dos equipamentos, assim com a autonomia que os alunos possuem em usufruir desses espaços estimula muito o aprendizado. “A variabilidade de espaços físicos de aprendizado contribui na dinâmica das aulas e se adequa ao propósito de cada uma em cada momento. O sistema de graduação e pós-graduação americano é outro tema importante de se abordar. A graduação em si não define a carreira profissional. A flexibilidade comparada com o ensino brasileiro é bem maior. Outro destaque em Boston e cidades da região são as bibliotecas públicas de cada cidade, espaço com uma grande diversidade de usuários, caracterizando o cuidado que as cidades têm em ofertar não somente espaços públicos abertos de qualidade, mas também espaços culturais e de convívio para diferentes faixas etárias em ambientes fechados que atendem outras demandas da população. Frequentei diferentes aulas, participei de reuniões, visitas em centros, universidades, laboratórios, espaços inovadores e participei de palestras/conferências na Graduate School of Education (GSE), Graduate School of Engineering and Applied Science (SEAS), Graduate School of Design (GSD), Grupos de pesquisa do MIT (Massachusetts Institute of Technology), MIT Media Lab, TEAL (Technology-Enhanced Active Learning) - MIT, Boston College, Perkins School for the blind, Harvard Initiative for Learning and Teaching, Derek Bok Center”, explica.

 

Excelência acadêmica

A infraestrutura da universidade, a proatividade dos alunos, a experiência do corpo docente oriundos de muitos países e a formação acadêmica fazem parte da excelência acadêmica de Harvard University. “A gestão de todos os centros, grupos de pesquisa e etc. são organizados e muito bem estruturados. Existem funções bem definidas, que ajudam para que tudo realmente aconteça. Há autonomia para os diferentes programas. No entanto, alguns entrevistados, mencionam que há uma grande lacuna entre o corpo docente e os alunos, não havendo mudanças significativas na pedagogia da maioria das disciplinas e cursos. Os alunos mudam ao longo do tempo, mas os professores no modo geral continuam replicando as mesmas metodologias. A tendência comentada é que os professores que estão num nível intermediário de suas carreiras são os mais propensos a inovar no ensino. Em Harvard University há uma ótima estrutura e engajamento dos professores para inovações pedagógicas no SEAS e nas disciplinas na área de STEM (Science, Technology, Engineering, Mathematics). O uso de metodologias ativas é claro e bem planejado no plano de ensino. A observação de como eles implantam essas metodologias foi outro grande aprendizado e subsidiará as minhas próximas observações em oito universidades do consórcio STHEM Brasil que usam Project Based Learning (PjBL).  Aqui no Brasil vou coletar informações/dados de aprendizagem combinada com o uso de PjBL incrementado com tecnologias, pensamento computacional e espaços inovadores de ensino. Caracterizando o efeito disso tudo na performance dos alunos. Depois retorno para os EUA em outubro para permanecer mais um mês. Falar das dinâmicas em salas de aula americanas é outra importante contribuição que apreendi lá, além das particularidades de cada uma das visitas que fiz para outros projetos que conduzo no PPGARQ/IMED, como a visita a primeira escola americana para cegos. Escola do século 19 com suas atualizações de espaços de aprendizado e a sensibilidade que conduzem suas ações de atendimento a rede pública de ensino. Outro diferencial é a maneira como orientam seus professores na condução de seus objetivos de aprendizagem e na avaliação da performance dos estudantes. Tudo isso pude observar nas entrevistas que fiz nas instituições de Harvard University e em Boston College. Sou muito grata pela atenção e seriedade com que Laspau desenvolve sua missão: “we conncet individuals and institutions with oppotunities to enhance the quality and impacto f higher education in the Americas”. A Assistant Director of University Innovation Colleen Silva de Laspau foi quem me recebeu em abril e me disponibilizou toda a infraestrutura da instituição para o desenvolvimento da pesquisa e estimulou a realização de diversos contatos em Harvard University e outras importantes instituições sediadas em Cambridge e Boston, EUA. Bem como a todo trabalho desenvolvido pelo Consórcio STHEM Brasil e pela IMED em estimular e dar as condições para a inserção internacional de nossas pesquisas”, conta.

 

Oportunidade

O reflexo pós essa primeira imersão em Harvard University, MIT e Boston College são as oportunidades que surgiram de conversar com diversos profissionais ligados a estas instituições e que possuem relação com os temas das pesquisas que a professora desenvolve na IMED. “Como estou cadastrada como pesquisadora de Harvard University, recebi e-mail institucional e acesso a todos os recursos que a instituição oferece, como acesso remoto a repositórios e bibliotecas, abrindo excelentes possibilidades. Um exemplo disso são conversas via Skype já realizadas nos meses de maio e junho com professores da área de administração, psicologia e arquitetura. Entre eles, entrevista que realizamos com o professor Andrew Witt de HGSD (Harvard Graduate School of Design) que foi diretor de pesquisa da Gehry Technologies (uma das principais empresas de arquitetura do mundo), onde os mestrandos do PPGARQ-IMED tiveram a oportunidade de realizar perguntas sobre as habilidades dos projetistas do século XXI, inovação e tecnologia no projeto arquitetônico”, finaliza Andréa.

Fotos: Divulgação

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