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25/06/2020
A retirada da vacinação da febre aftosa no Estado e seu impacto para a cadeia do Agro

Por: Francine Tiecher

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A IMED promoveu na noite desta quinta (25) o webinar “Impactos no Agronegócio com a retirada da vacinação para febre aftosa no RS”, com o apoio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, DAMV, ABPA e Hub IMED -  Agrotech.

Trazendo para o debate painelistas de renome no segmento, como Francisco Sérgio Turra (Ex-Ministro da Agricultura, Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal – ABPA), Ricardo Nissen (Assessor Técnico de Pecuária de Corte na CNA - Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e Fernando Groff (Coordenador do Programa de Saúde Animal / Febre Aftosa (PNEFA/RS) e Chefe da Divisão de Defesa Sanitária Animal da  SEAPDR), o evento fez um apanhado sobre os impactos que a medida trouxe para a cadeia do Agro no Estado.

Nortearam as falas dos painelistas assuntos relacionados ao novo status sanitário da doença, barreiras sanitárias, sanidade animal, novos mercados de carne e sua exportação, bem como questões relacionadas à biosseguridade.

A mediação ficou por conta dos professores Ana Paula Burin Fruet (Fiscal estadual agropecuária, Chefe da Inspetoria de Defesa Agropecuária de Passo Fundo, Professora da IMED), Deniz Anziliero (Coordenador do Curso de Medicina Veterinária da IMED), e Dieisson Pivoto (Coordenador do Curso de Administração em Agronegócio da IMED).

 

Início da exportação de carne pelo Brasil

No ano de 1998, como Ministro da Agricultura na época, Turra acompanhou o início da exportação de produtos de origem animal in natura, já que anteriormente à entrada do País na Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), o Brasil vendia a outras nações apenas proteína cozida e enlatada. Para o Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, reforçar a vigilância e abater animais infectados não contêm o problema quando há foco da doença. “Quando ficamos livre da febre aftosa sem vacinação, representantes de mais de 60 países nos procuraram para fazer acordos de implantação de medidas sanitárias. Foi uma festa, nós abrimos esse mercado e tivemos um passaporte para o mundo. Porém, a aftosa é vista mais do que uma doença pela OIE, ela é um símbolo do relaxamento de um país, pois erradicar a aftosa é o mínimo para um país manter sua saúde sanitária, mediante a Organização. Ter aftosa cria uma imagem negativa”, comenta.

Quando questionado sobre a importância da medida, do Rio Grande do Sul ser um Estado declarado livre da febre aftosa, com ou sem a obrigatoriedade da vacinação, Turra argumenta:

“Eu acho importante livrar todo o País. Vai ser duro, demorado, mas se pudéssemos liberar a não obrigatoriedade da vacinação, seria ótimo. Não só pelo fato de abrir portas e mercados, mas por elevar o País no status sanitário perante o mundo, em tudo, especialmente pra área da proteína animal. Para isso, nos embasamos nos técnicos, que são quem tem propriedade para nos dizer se estamos livres e longe do problema, e não outras pessoas. Vamos ter novos mercados com a retirada da vacinação no Rio Grande do Sul. Juntamente com o Paraná e Santa Catarina, já somamos 75% da produção de suínos e 76% da produção de aves, representando a maior fatia de produção, na atualidade, apenas nesses três estados”, ressalta.

 

Fiscalização e medidas sanitárias tomadas pelo Estado

O Rio Grande do Sul teve seu último registro da disseminação de febre aftosa no ano de 2001. Apesar dos quase 20 anos registrando apenas focos pontuais da doença, a vacinação é considerada a melhor forma de evitar sua disseminação.

A cada dois anos, órgãos de regulação e fiscalização desenvolvem estudos epidemiológicos para detectar se há ou não circulação oculta da aftosa a partir do não uso da vacina. O Chefe da Divisão de Defesa Sanitária Animal da SEAPDR, Fernando Groff frisou a importância do conhecimento científico ser utilizado para a elaboração de estratégias de contenção, bem como a participação do produtor, iniciativa privada e forças políticas estarem juntas para sustentar a zona livre de aftosa sem vacinação.

“Precisamos fortalecer as relações de colaboração entre os entes integrantes de toda a cadeia para sermos efetivos. Vamos sustentar essa demanda após a retirada da vacina, padronizando alguns procedimentos e atuando com vigilância passiva e sanitária, facilita o diagnóstico, reduzindo período de interdição e a capacidade de disseminação da aftosa. A engrenagem só gira a partir de um conjunto de serviços e atores da cadeia que garantem uma zona livre. Por isso, é extremamente importante que todos entendam que a responsabilidade não é só do serviço veterinário oficial, mas também são atribuições da iniciativa privada, da articulação política e dos produtores”, pontua.

Groff, que também atua como Coordenador do Programa de Saúde Animal / Febre Aftosa (PNEFA/RS), ainda alerta que o grande risco de um possível foco e disseminação da doença está no potencial ilícito de transporte de animais e produtos de origem animal.

 

Um mercado de novas oportunidades

Ricardo Nissen, que é Assessor Técnico de Pecuária de Corte na CNA - Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, pontuou que a grande vantagem desse novo status sanitário se dá em relação à conquista de novos mercados e expansão de exportações para a China, principal cliente brasileiro no que diz respeito à exportação de carne bovina.

Segundo ele, há um caminho a ser percorrido para gerar essa viabilidade econômica da retirada da vacina, trazendo para o Brasil e especialmente para o Rio grande do Sul, o fortalecimento do sistema de defesa sanitária. “O receio está na qualidade da defesa agropecuária do País. O que se avalia externamente é que, estando com um serviço forte e organizado, sanitariamente falando no sistema da produção, há segurança alimentar, e isso dá mais robustez à exportação e ao mercado”, comenta.

Além disso, Nissen ressalta que o retorno econômico e os reflexos positivos no mercado se darão de forma natural, uma vez que a carne mais pura é mais valorizada, e há a possibilidade de expandir as exportações a partir dos cuidados sanitários adotados. “A partir do reconhecimento sanitário e da segurança alimentar, há a garantia do trabalho desenvolvido pelo produtor. Assim, havendo o reconhecimento externo do sistema veterinário ser robusto o suficiente, consequentemente haverá uma agregação de valor ao produto”, explica.

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